sábado, 1 de dezembro de 2018

Educadora... dar papinha e mudar fraldas??


Ser Educadora? Em Creche?


Eu, que estudei para ser professora do 1ºciclo, e que cheguei a pensar que seria aquele o meu caminho, a vida deu uma volta inesperada e levou-me para a Educação de Infância. Ainda bem!

A minha primeira experiência foi como educadora na sala de 2 anos e lembro-me de ouvir muitas vezes, até durante o percurso de formação:  “ Isso de estar em Creche nem é preciso estudar, é só mudar fraldas e dar papinha”.  O meu percurso como educadora não é muito longo, mas de uma coisa tenho a certeza, mesmo para dar “papinha e mudar as fraldas” é preciso saber o que se está a fazer e fazê-lo com profissionalismo , neste campo da alimentação há imensos pormenores a ter em conta como introduções alimentares, alergias, relação que se estabelece com cada criança, perceber ritmo/gostos de cada criança (…), no campo da Higiene ter cuidado de fazer muda regular, perceber sensibilidade de pele de cada criança, perceber sinais que as crianças nos dão (…)

Então não me chega “dar papinha e mudar fralda”? NÃO… há tanto para aprender, todos os dias, com cada criança, com o grupo, com as famílias… e não há crianças iguais, não há grupos iguais, não há famílias iguais… e NÃO HÁ RECEITAS, há sim o nosso dever profissional de sermos humildes o suficiente para aprender todos os dias. E sim há um suporte teórico que precisamos ter para nos dar as “ferramentas” necessárias e aliar ao que vivenciamos na prática, é importante ter capacidade de observar, sobretudo com crianças pequenas que não é através das palavras que comunicam mas sobretudo através do seu próprio corpo que nos transmite os sinais do que a criança sente, do que tem necessidade… mas exige que eu esteja lá com ela, que nos olhemos verdadeiramente, que nos permitamos sentir…

Para mim, trabalhar com crianças pequenas é um desafio diário que me estimula à observação sobretudo dos detalhes pois é isso que me dá informação fundamental para como hei-de estar com aquela criança, com aquele grupo… as rotinas vão-se construindo na relação de confiança que vamos estabelecendo entre nós… e sim o inicio do ano letivo é um momento difícil para a criança, mas também para nós, mas a verdade é que é um momento em que nos vamos descobrindo e adquirindo progressivamente uma relação de confiança e passa por nós profissionais promovermos momentos que envolvam a criança/grupo, que estimule a sua curiosidade, o seu interesse…

E há depois uma parte que para mim é a fundamental, o estabelecermos a nossa relação emocional, a criança sentir confiança em nós, sabendo diferenciar que não somos os pais/família, mas que somos também parte da sua vida, do seu quotidiano… somos nós que vamos passar maior parte dia com ela, somos nós que vamos ter privilégio de presenciar tantas novidades (primeiras palavras, primeiros passos, primeiros conflitos, primeiras pintadelas, primeiros saltos…)

E as famílias? São os nossos parceiros mais importantes… quem ama mais a criança? Quem a conhece melhor? Quem quer o melhor para ela? E as famílias devem fazer parte da rotina da sala, não tem mal nenhum perguntarem, não tem mal nenhum sugerirem, não tem mal nenhum partilharem… as portas da sala é para estarem abertas à presença das famílias… cada criança tem a sua família que é para ser envolvida, que é para ser respeitada ( e para mim isso é um ponto muito IMPORTANTE, o que a família nos transmite é sigilo não é para se andar a falar fora do âmbito sala, a isso se chama profissionalismo )

Afinal o que é isso de ser Educadora? Para mim, um desafio diário que me estimula a dar o melhor de mim, é um privilegio fazer parte do percurso de crescimento dos nossos pequenotes e vê-los a cada dia CRESCER, e permitirem que eu cresça com eles é muito ESPECIAL… para mim, ser educadora também é dar "papinha e mudar fralda", mas é mais do que isso, é muito mais… é tanto SENTIR que não há palavras que o consigam descrever… para mim… mais que um percurso profissional, faz parte de mim!

PROJETO NATAL É ESPECIAL!

Vamos começar mais um projeto no nosso Ninho dos Corujinhas e como chegamos a este plano orientador? Para nós, enquanto profissionais, é importante termos um fio condutor, ainda que este não seja um plano rígido, há sempre a possibilidade de retirar algo ou acrescentar. O importante é começar pelo que desperta mais interesse nos grupos, e neste projeto vamos iniciar com uma canção de uma versão do Panda e Caricas pois as crianças já manifestaram em certos momentos apreciar este tipo de canções e também a personagem Panda. Por outro lado, as canções são um excelente recurso, estimulam os vários sentidos, aliando o emocional com o físico (o mexer o corpo). Partindo da canção procuraremos trabalhar todas as outras áreas de desenvolvimento, e ainda que pareçam estar separadas, dificilmente se conseguem dissociar umas das outras.
Refiro mais uma vez que este é um plano orientador, e é este o desafio de quem trabalha com crianças pequenas, o ter abertura para retirar algo (ou porque grupo não aprecia, ou por questões logísticas…) ou acrescentar (ou porque de casa vem uma história, um elemento decorativo, um alimento…)
Como profissional, o Natal é um projeto como todos os outros, a ser pensado partindo da criança e do grupo, onde devemos procurar estimular à DESCOBERTA, à EXPLORAÇÃO, à CURIOSIDADE, ao BRINCAR… mais do que produzir produtos ou investir tempo e energias em decorações, o mais importante é termos os nossos momentos de um CRESCER FELIZ!


domingo, 25 de novembro de 2018

Sonhos de Natal...


Memórias de Natal

QUANDO EU ERA PEQUENINA…


Em cada um de nós, nas nossas memórias, há o nosso Natal de criança, bem diferente dos dias de hoje… melhor ou pior? Diferente! Os tempos eram outros, vivamos de um modo mais simples, com menos consumismo, um Natal mais feito de sentimentos do que de coisas materiais… e há momentos que em nós ficaram e se fecharmos os olhos, e nos permitirmos, conseguimos sentir sons, cheiros, sensações… ir ao baú das memórias sabe bem!

Lembro-me do pinheiro de Natal, era o meu avô Joaquim que ia buscar ao pinhal (hoje sei que não seria o melhor para a Natureza), o cheiro a pinhal único, e eu sempre quis um daqueles pinheiros gigantes, o que vinha era um pinheirito que o meu avô cortava com a machada e amarrava à sua bicicleta… não era o pinheiro com que eu sonhava, mas era o nosso pinheiro de Natal. A juntar ao pinheiro trazíamos o musgo para usar no presépio, lembro-me da faca de metal que o meu avô colocava por baixo do musgo para separar da terra… lembro-me do cheiro do musgo…

Os enfeites eram simples, as luzes na sua maioria estavam fundidas, poucas fitas e bolas, mas os enfeites que eu mais gostava, alguns chocolatinhos de Natal que apenas seriam comidos após passar a época festiva, lembro-me do sabor meio a sabão mas era o melhor chocolate do mundo!

Os presentes…  lembro-me de ter desejado muito um móvel azul de brincar (tipo louceiro composto por loiça minúscula) que havia na loja da dona Maria do Carmo (mercearia perto da nossa casa), e sim ganhei esse presente… durante muito tempo foi o meu tesouro… quando sonhamos e concretizamos é assim… especial!

Lembro-me da minha avó Custódia estar fazer as filhoses, ela tratava da massa e o meu avô fritava, o cheiro… que maravilha!

Lembro-me de nos juntarmos à mesa, do simplesmente estar….

E Natal, para mim, é isto, é estar, é construir memórias dos momentos, memórias de sons, de cheiros, de sabores, de imagens… de Sentir… pois são as memórias que fazem quem nós somos… que as novas gerações encham o seu baú de muitos momentos especiais…


sábado, 24 de novembro de 2018

Loucura Natal ou Natal loucura???


1, 2, 3… A “ LOUCURA” NATAL VAI COMEÇAR!


DIAS ESPECIAS, aquela coisa meio institucionalizada não sei por quem pois não há registo legais disso mesmo, marcam que no final do DIA DO PIJAMA se começa com o Natal. Na próxima 2ªfeira começa o “ concurso decorações de Natal”, as caixas cheias material saem das dispensas, mas ainda assim parece não ser suficiente, e começa o ataque a revistas de moldes de Natal, a invasão de lojas das Evas, purpurinas e afins…

Assumo já que não sou anti Natal… sou anti a loucura de decorações de Natal em que as salas parecem um circo em que o importante é “dar nas vistas”, mesmo que isso resulte num empenho de energias no que menos importância tem. Não será mais importante VIVER O NATAL com o nosso grupo e famílias? Para mim Viver o Natal é explorar os vários elementos relacionados com o tema procurando estimular a descoberta, e isso passa por ouvir histórias, escutar canções, decorar o nosso espaço com as nossas produções ( e podem não resultar em elementos decorativos perfeitos, mas resultam em produtos feitos pelas crianças, logo com significado para elas)… de que nos vale ter uma árvore de Natal lindíssima na entrada da instituição e nunca termos ido com o grupo visitar e explorar esse elemento? Assumo que não tenho jeito nenhum para obras de arte de decoração, não gosto e não tenho paciência, mas não me envergonho disso, não é isso que faz de mim um profissional de qualidade… prefiro estar com o grupo e VIVER O NATAL, que privilégio estar com eles nas suas descobertas, respeitá-los nos seus gostos e perceber os seus medos, sim porque muitas vezes o excesso de decorações traduz-se em Medo ( eu próprio já o presenciei).  

Mas as famílias vão olhar-te de lado por teres a sala tão “ mal decorada”? Não vão… a família vai perceber o nosso VIVER O NATAL pois vai ser envolvida (tal como em qualquer outro projeto), a família quer que eu esteja com a sua criança, quer sentir que chega ao final dia e eu sei falar sobre o dia da criança, quer que durante a sesta eu esteja lá de corpo e alma a vigiar e não esteja num corredor a fazer decorações ( e eu também já vivi o quão importante é esta vigilância, pode fazer a diferença entre a vida e a morte), a família quer ver na sala trabalhos da sua criança ( verdadeiras obras rimas)… a família quer ver a sua criança FElIZ!

Decorações, decorações, decorações à parte….venham presentes

Venha a linha de montagem PRENDA DE NATAL… após as decorações começa a elaboração do presente de Natal para a família … e quanto mais elaborado e brilhante for melhor! Não sou anti presente de Natal… sou anti fazer um presente perfeito que se vê perfeitamente que a criança apenas deve ter imprimido a sua marca com um dedo de tinta (muitas vezes ultra perfeito), sem que pudesse sequer explorar um pouco isso que é mexer em tinta. As famílias vão olhar-te de lado se receberem um presente feio? Não… as famílias vão adorar receber um presente feito pela sua criança, tendo em conta as suas capacidades… um dia destes essa mesma criança vai crescer e vai elaborar um presente perfeito, mas na caixa dos tesouros aquele presente “feio” vai ser lembrança do seu tempo de criança.

Festas ou Festarolas, eis a questão…

Segue-se a FESTA DE NATAL… pessoalmente as melhores Festas de Natal que tive foi aquelas que aconteceram em sala (costumo chamar Festa entrega da prenda à Família), no espaço que é da criança, do grupo, da família … em que o importante é estarmos juntos, realizar uma atividade para as crianças (ex: hora conto; Concerto mais pequeno MUNDO…) usufruírem acompanhadas de quem gostam, para as crianças darem o seu presente aos pais… e sim, são momentos muito especiais em que estamos a Viver o Natal e a sua essência. E não sou anti FESTA DE NATAL, sou contra torturas de Natal, em estarmos em palco com as crianças e o seu medo é tal que tremem ao nosso colo… compensa fazer as crianças passarem por isso em nome sei lá do quê (sei mas não quero dizer a palavra para não ferir susceptibilidades)?

Este é o caminho que sigo e cada qual segue o seu caminho e faz as suas escolhas, espero, pela qualidade da Educação de Infância, e seja em qual projeto for, que pensem primeiro em cada criança e no grupo… nos seus interesses, nos seus gostos, nos seus não gostos, nas suas capacidades tendo em conta a faixa etária… e a energia que é canalizada durante o Natal para tantas tarefas (que podem não ser assim tão importantes) que seja despendida no que realmente interessa… viver momentos em que todos juntos CRESCEMOS FELIZES!

QUE O NATAL SEJA VIVIDO DE UM MODO MUITO ESPECIAL!