segunda-feira, 10 de dezembro de 2018


Educadora, estou a VER-TE!!! 

Sou pequeno (a) mas quero DESCOBRIR… quero EXPLORAR… quero APRENDER… quero e quero, e quero…

“Por mais novos que sejam, bebés e crianças estão poderosamente auto motivados para explorar e aprender- ao seu próprio ritmo, através dos seus próprios meios. A aprendizagem desenvolve-se a partir da sua atividade intrinsecamente motivada. Ninguém precisa de lhes dizer como se aprende ou de desencadear as suas acções. As suas próprias escolhas e desejo de autonomia e iniciativa bastam para tal” ( Educação de bebés em Infantários; pág.28)

Esta foto remete para esse desejo de querer Descobrir, para a curiosidade dos meus pequenotes, e ainda que não verbalizem por palavras, o seu olhar traduz essa mesma curiosidade. Centram-se nos materiais, centram- se em mim, centram-se em sons (caixa música), centram-se em texturas… os maiores centrados mais nas imagens do livro, e a Nonô, a mais pequenota de apenas 6 meses com o seu olhar totalmente direcionado para mim. O que motiva a curiosidade desta bebé? Será a voz, serão os adereços, será a minha postura corporal… na minha opinião, é o conjunto de tudo que mobiliza este seu olhar interessado e focado em mim… e sim, estamos sempre a ser observados pelos pequenotes, o modo como falamos, os nossos sorrisos, os nossos não sorrisos, a nossa roupa (cores e texturas), a nossa voz, o nosso olhar… e eles olham-nos diretamente… o olhar mais puro e verdadeiro que existe, e a partir do momento que começam a falar manifestam-no por palavras de um modo tão espontâneo… tudo o que fazemos, como fazemos é foco da sua curiosidade que procura sempre novidades nesta sua descoberta do meio que os rodeia… há uma vontade natural de DESCOBRIR E EXPLORAR.
E nós , profissionais de educação temos de ter isso em conta quando pensamos no caminho  que queremos percorrer ao seu lado, procurando trazer essa novidade tão desejada, a curiosidade existe mas devemos estimular (sem exageros) partindo das informações que cada criança/grupo nos dá quer através de palavras mas também da sua linguagem corporal que nos exige um olhar muito atento.
Cada dia é feito de momentos nossos, e não são apenas as crianças que estão a CRESCER, nós, adultos, crescemos tanto com cada um deles…
E assim… Todos Juntos, a Crescer Somos Felizes!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Educadora... dar papinha e mudar fraldas??


Ser Educadora? Em Creche?


Eu, que estudei para ser professora do 1ºciclo, e que cheguei a pensar que seria aquele o meu caminho, a vida deu uma volta inesperada e levou-me para a Educação de Infância. Ainda bem!

A minha primeira experiência foi como educadora na sala de 2 anos e lembro-me de ouvir muitas vezes, até durante o percurso de formação:  “ Isso de estar em Creche nem é preciso estudar, é só mudar fraldas e dar papinha”.  O meu percurso como educadora não é muito longo, mas de uma coisa tenho a certeza, mesmo para dar “papinha e mudar as fraldas” é preciso saber o que se está a fazer e fazê-lo com profissionalismo , neste campo da alimentação há imensos pormenores a ter em conta como introduções alimentares, alergias, relação que se estabelece com cada criança, perceber ritmo/gostos de cada criança (…), no campo da Higiene ter cuidado de fazer muda regular, perceber sensibilidade de pele de cada criança, perceber sinais que as crianças nos dão (…)

Então não me chega “dar papinha e mudar fralda”? NÃO… há tanto para aprender, todos os dias, com cada criança, com o grupo, com as famílias… e não há crianças iguais, não há grupos iguais, não há famílias iguais… e NÃO HÁ RECEITAS, há sim o nosso dever profissional de sermos humildes o suficiente para aprender todos os dias. E sim há um suporte teórico que precisamos ter para nos dar as “ferramentas” necessárias e aliar ao que vivenciamos na prática, é importante ter capacidade de observar, sobretudo com crianças pequenas que não é através das palavras que comunicam mas sobretudo através do seu próprio corpo que nos transmite os sinais do que a criança sente, do que tem necessidade… mas exige que eu esteja lá com ela, que nos olhemos verdadeiramente, que nos permitamos sentir…

Para mim, trabalhar com crianças pequenas é um desafio diário que me estimula à observação sobretudo dos detalhes pois é isso que me dá informação fundamental para como hei-de estar com aquela criança, com aquele grupo… as rotinas vão-se construindo na relação de confiança que vamos estabelecendo entre nós… e sim o inicio do ano letivo é um momento difícil para a criança, mas também para nós, mas a verdade é que é um momento em que nos vamos descobrindo e adquirindo progressivamente uma relação de confiança e passa por nós profissionais promovermos momentos que envolvam a criança/grupo, que estimule a sua curiosidade, o seu interesse…

E há depois uma parte que para mim é a fundamental, o estabelecermos a nossa relação emocional, a criança sentir confiança em nós, sabendo diferenciar que não somos os pais/família, mas que somos também parte da sua vida, do seu quotidiano… somos nós que vamos passar maior parte dia com ela, somos nós que vamos ter privilégio de presenciar tantas novidades (primeiras palavras, primeiros passos, primeiros conflitos, primeiras pintadelas, primeiros saltos…)

E as famílias? São os nossos parceiros mais importantes… quem ama mais a criança? Quem a conhece melhor? Quem quer o melhor para ela? E as famílias devem fazer parte da rotina da sala, não tem mal nenhum perguntarem, não tem mal nenhum sugerirem, não tem mal nenhum partilharem… as portas da sala é para estarem abertas à presença das famílias… cada criança tem a sua família que é para ser envolvida, que é para ser respeitada ( e para mim isso é um ponto muito IMPORTANTE, o que a família nos transmite é sigilo não é para se andar a falar fora do âmbito sala, a isso se chama profissionalismo )

Afinal o que é isso de ser Educadora? Para mim, um desafio diário que me estimula a dar o melhor de mim, é um privilegio fazer parte do percurso de crescimento dos nossos pequenotes e vê-los a cada dia CRESCER, e permitirem que eu cresça com eles é muito ESPECIAL… para mim, ser educadora também é dar "papinha e mudar fralda", mas é mais do que isso, é muito mais… é tanto SENTIR que não há palavras que o consigam descrever… para mim… mais que um percurso profissional, faz parte de mim!

PROJETO NATAL É ESPECIAL!

Vamos começar mais um projeto no nosso Ninho dos Corujinhas e como chegamos a este plano orientador? Para nós, enquanto profissionais, é importante termos um fio condutor, ainda que este não seja um plano rígido, há sempre a possibilidade de retirar algo ou acrescentar. O importante é começar pelo que desperta mais interesse nos grupos, e neste projeto vamos iniciar com uma canção de uma versão do Panda e Caricas pois as crianças já manifestaram em certos momentos apreciar este tipo de canções e também a personagem Panda. Por outro lado, as canções são um excelente recurso, estimulam os vários sentidos, aliando o emocional com o físico (o mexer o corpo). Partindo da canção procuraremos trabalhar todas as outras áreas de desenvolvimento, e ainda que pareçam estar separadas, dificilmente se conseguem dissociar umas das outras.
Refiro mais uma vez que este é um plano orientador, e é este o desafio de quem trabalha com crianças pequenas, o ter abertura para retirar algo (ou porque grupo não aprecia, ou por questões logísticas…) ou acrescentar (ou porque de casa vem uma história, um elemento decorativo, um alimento…)
Como profissional, o Natal é um projeto como todos os outros, a ser pensado partindo da criança e do grupo, onde devemos procurar estimular à DESCOBERTA, à EXPLORAÇÃO, à CURIOSIDADE, ao BRINCAR… mais do que produzir produtos ou investir tempo e energias em decorações, o mais importante é termos os nossos momentos de um CRESCER FELIZ!


domingo, 25 de novembro de 2018

Sonhos de Natal...


Memórias de Natal

QUANDO EU ERA PEQUENINA…


Em cada um de nós, nas nossas memórias, há o nosso Natal de criança, bem diferente dos dias de hoje… melhor ou pior? Diferente! Os tempos eram outros, vivamos de um modo mais simples, com menos consumismo, um Natal mais feito de sentimentos do que de coisas materiais… e há momentos que em nós ficaram e se fecharmos os olhos, e nos permitirmos, conseguimos sentir sons, cheiros, sensações… ir ao baú das memórias sabe bem!

Lembro-me do pinheiro de Natal, era o meu avô Joaquim que ia buscar ao pinhal (hoje sei que não seria o melhor para a Natureza), o cheiro a pinhal único, e eu sempre quis um daqueles pinheiros gigantes, o que vinha era um pinheirito que o meu avô cortava com a machada e amarrava à sua bicicleta… não era o pinheiro com que eu sonhava, mas era o nosso pinheiro de Natal. A juntar ao pinheiro trazíamos o musgo para usar no presépio, lembro-me da faca de metal que o meu avô colocava por baixo do musgo para separar da terra… lembro-me do cheiro do musgo…

Os enfeites eram simples, as luzes na sua maioria estavam fundidas, poucas fitas e bolas, mas os enfeites que eu mais gostava, alguns chocolatinhos de Natal que apenas seriam comidos após passar a época festiva, lembro-me do sabor meio a sabão mas era o melhor chocolate do mundo!

Os presentes…  lembro-me de ter desejado muito um móvel azul de brincar (tipo louceiro composto por loiça minúscula) que havia na loja da dona Maria do Carmo (mercearia perto da nossa casa), e sim ganhei esse presente… durante muito tempo foi o meu tesouro… quando sonhamos e concretizamos é assim… especial!

Lembro-me da minha avó Custódia estar fazer as filhoses, ela tratava da massa e o meu avô fritava, o cheiro… que maravilha!

Lembro-me de nos juntarmos à mesa, do simplesmente estar….

E Natal, para mim, é isto, é estar, é construir memórias dos momentos, memórias de sons, de cheiros, de sabores, de imagens… de Sentir… pois são as memórias que fazem quem nós somos… que as novas gerações encham o seu baú de muitos momentos especiais…