terça-feira, 8 de janeiro de 2019


Projeto Ninho dos Corujinhas


No dia 1 de Agosto de 2018 quando abrimos a porta do nosso Ninho dos Corujinhas traçamos o caminho que queríamos percorrer ao lado dos nossos pequenotes e das suas famílias. Um caminho que partia da observação de cada criança e do grupo, dos seus gostos, dos seus interesses, um caminho que iria acontecer na nossa Vila de Coruche, daí o tema do nosso primeiro projeto pedagógico ter como tema “ Viver Coruche”.

Começamos timidamente com poucas crianças, ainda assim com uma energia maravilhosa, um espaço cheio de cor e luz… Agosto ficou marcado por um usufruir do espaço exterior sobretudo da piscina e da caixa de areia, recriando a nossa “praia”, não faltaram geladinhos, as molhas de mangueira, os baldes e pás e brinquedos de praia. Mas também foi mês em que saímos para o exterior e fomos descobrir a identidade da nossa vila, o que foi ainda mais reforçado por ser um mês marcado pelas Festas de Coruche. 



Começar o ano letivo,Setembro, foi novamente um turbilhão de momentos, a fase da adaptação que como todos sabemos não é fácil para as crianças nem para as famílias, mas que faz parte, e que é o momento que marca o início das relações que se vão basear na confiança, no carinho, no estimular o gosto pela descoberta… e começamos com o projeto “ Um ninho especial” utilizando uma história que envolvia corujinhas, Acreditar, Amor, Confiança…  neste mês vivemos também o projeto “ Caixas há muitas” e “ Toca a Mexer” em que tivemos diversas atividades que nos permitiram ter momentos tão felizes (ex: brincar livremente com caixas de vários tamanhos; aula Zumba Kids com famílias; Passeio avós e netos…) 





Agosto e Setembro permitiu-nos perceber que é este o caminho que queremos percorrer, mais do que trabalhar temas, o importante é VIVER ao lado dos pequenotes projetos que lhes desperte os vários Sentidos, que lhes desperte o querer SENTIR o tudo que os rodeia, que lhes permita construir as suas próprias memórias e isso só ocorre quando as vivências têm realmente significado.

Mas estávamos a chegar a Outubro e nada dos temas tradicionais? Não se trabalha Outono? Primeiro, por esta altura estava um calor que mais parecia Verão, que sentido fazia introduzir um tema só porque tem de ser? Não nos fazia sentido… e continuamos… com projeto “ história dos nossos avós” que teve como base a história “ Corre, corre cabacinha”, e ficou marcado por vários momentos tão especiais, e destacamos a visita dos nossos amiguinhos do Centro de Dia, uma manhã de partilha de colinhos entre gerações… foi tão simples e grandioso o que vivemos naquela manhã…


O mês de Outubro ficou também marcado pelo início do projeto “ Balão Mágico”, em que pretendemos viver o Festival de Balonismo que decorreu em Coruche… e tudo começou com 3 imagens reais, tivemos a canção Balão Mágico, construímos o nosso próprio balão, observamos os balões de ar quente cujo ponto de concentração foi em frente ao nosso Ninho, participamos, com as famílias, na caminhada inserida nas atividades desenvolvidas na nossa vila… mas não deveríamos estar a trabalhar o OUTONO? Não, o tema do Outono foi vivido quando o meio circundante nos “disse “ que essa estação do ano tinha chegado, quer através das folhas que começaram mudar cor e a inundar o chão, através dos frutos da época… viver com cada criança, com cada grupo, com cada família um projeto que estava relacionado com o “ Viver Coruche” fez todo o sentido, e há momentos que são únicos…ter uma criança no nosso colo com os olhos arregalados a apontar para o balão e sentirmos o bater do seu coração a velocidade mil, o seu sorriso que traduz o que está a sentir… é a prova de que vale a pena seguir aquele caminho que sai da norma, se tem significado para a criança/grupo não é isso o mais importante?



Novembro ficou marcado pelo projeto “ Pedra Falante” integrado no dia nacional do pijama, em que mais uma vez vivemo-lo, explorando o que o meio tinha para nos dar ( ir apanhar pedras mágicas) e que conjugamos com um estimular da Imaginação adaptando a histórias às nossas faixas etárias procurando explorá-la de um modo Mágico… e que bom foi partilhar com todas as escolas pijamas a nossa adaptação da história.


Dezembro, mês de Natal! Para muitos profissionais, mês de tortura… mas nós sabíamos o que queríamos, VIVER O NATAL, o que passou por momentos de histórias, de exploração canção, símbolos de Natal, pela participação das famílias, por uma festa com as famílias em que o principal objetivo seria estarmos juntos e felizes… afinal não é isso o Natal? 



Quando começamos a nossa caminhada percebemos que havia um olhar curioso sobre nós, aquele olhar de quem pensa “ Isto é assim porque abriram a porta agora…  logo lhes passa… é assim porque têm poucas crianças…”

Passaram 5 meses, a energia com que abrimos a porta mantém-se, o Acreditar mantém-se, o Amor que depositamos no que fazemos mantém-se… o querer mais e melhor, o exigir de nós a máxima qualidade…

Que bom é fazer aquilo que gostamos, que bom é percorrer um caminho em que acreditamos, que bom é viver momentos tão especiais… mais do que fazer, mais do que produtos para arquivar em dossiers, mais do que presentes perfeitinhos… queremos VIVER, DESCOBRIR, PARTILHAR…queremos construir memórias, queremos continuar a escrever (viver) uma história verdadeiramente Mágica… QUEREMOS CRESCER FELIZES!

domingo, 6 de janeiro de 2019

Workshop… Era uma vez, na Creche! 

Dia 2 fevereiro (10h - 12.30/14h - 17.30) na Creche e JI Ninho Dos Corujinhas em Coruche ( a nossa linda vila ribatejana a cerca 50 minutos de Lisboa) … um dia para Partilhar e Crescer Felizes! Quem alinha? Faça a sua inscrição para o mail: asilvana19@hotmail.com .
Inscrevam-se e Partilhem!!
A imagem pode conter: texto

SOU EDUCADORA DE INFÂNCIA… JÁ SEI TUDO?

Sábado de manhã (5/1/2019)… pelas 8.30h… o carro marca temperatura de … apetecia ficar mais um pouco na cama quentinha… as ruas de Coruche ainda estão meio desertas… mas vamos lá, rumo a Lisboa!

Mas o que nos move, em condições tão difíceis, a abdicar de um Sábado para ir a uma formação? Já temos a formação académica enquanto profissionais de educação, é mesmo necessário frequentar formações?

SIM… na minha opinião, no dia em que eu achar que já sei tudo é o dia em que não saberei nada… que esse dia nunca chegue! E sim temos a formação académica mas é necessário ir adquirindo novos conhecimentos, partilhar e ouvir partilhas, fazer as nossas leituras, refletir sobre a profissional que sou, sobre o meu contexto, sobre o caminho que percorro ao lado dos pequenotes e famílias … é necessário APRENDER ... APRENDER É CRESCER… considero que é algo importante em qualquer área profissional pois só assim se poderá alcançar a qualidade.

Na área da Educação de Infância, apesar de ser ainda uma área recente para mim (tenho palpite que daqui 20 anos continuo a dizer isto), tenho sentido alguma evolução, há maior procura de formação no sentido de melhorar as práticas pedagógicas, e é algo que deve ser valorizado, o haver humildade para ter abertura para aprender… sobretudo numa profissão em que se exige um pouco de vários olhares (ex:o olhar a nível de saúde , e não somos médicos, mas temos de perceber sinais e agir), uma multiplicidade de olhares que exige um investimento ao nível da formação que vai mais além da mera formação académica .

E que formações devo frequentar? Na minha opinião cada profissional deve procurar temas que lhe sejam uteis, ir a uma formação é um investimento (pessoal; monetário) que cada um deve rentabilizar o melhor possível traduzindo-se em maior qualidade na sua prática pedagógica. Quando vou a uma formação não vou em busca de receitas, sou educadora de uma grupo constituído por crianças, cada uma com a sua especificidade, estou num determinado contexto … e é isto mesmo que aprecio nestes momentos de formação, conhecer outros profissionais, perceber as diferentes realidades, registar novas bibliografias, conhecer materiais… PARTILHA… é na partilha que crescemos muito enquanto profissionais.



Formação: E AGORA?MAIS CRECHICES!


Há já alguns anos que frequento as “formações da Célia”, tal como relembramos, comecei a frequentar como professora E.B-1ºciclo e passei depois a frequentar como Educadora de Infância. 

Não irei revelar muito sobre esta formação uma vez que vai andar pelo país e há que manter o fator “curiosidade” . O que destaco do dia de ontem:

- Que bom observar que há muitas colegas a querer crescer profissionalmente;

- Momento de apresentação: ADORO… modo como cada uma se apresenta, e o amor que se sente pela profissão nessa mesma apresentação;


- Ligação teoria com o que fazemos na prática;


- Listagem de bibliografia ( e o ter oportunidade de manusear tantas novidades);


- Conhecer novos materiais e onde os podemos adquirir ;

- O trabalhar em grupo ( ir falando com colegas , perceber as suas realidades…)

- As dinâmicas que nos fazem saltar da cadeira e FAZER, mexer o corpo e a alma!



Ultra Destaque (sem revelar muito)

- A minha criança e Eu… o levar-nos às nossas memórias, à criança que fui, à pessoa que sou… vai muito mais além da imagem… um despertar saudades da minha infância… o resgatar de memórias… o refletir sobre o percurso do ontem até hoje… e que bom é levarmos essa reflexão para o que fazemos enquanto profissionais, eu quero muito, ao lado dos pequenotes e famílias construir as nossas memórias, despertar a Imaginação… que as nossas crianças tenham sempre a capacidade de Sonhar e ser FELIZES! Ainda que numa sociedade tão diferente daquela de quando eramos crianças… eu ACREDITO QUE É POSSÍVEL!


Concluindo… se queremos ser profissionais de qualidade devemos investir na nossa formação, devemos querer sempre saber mais, devemos ter capacidade de continuar a Aprender… de Refletir… de Partilhar… pois a CRESCER SOMOS FELIZES!




sexta-feira, 4 de janeiro de 2019


Minha querida escola da aldeia
Os ventos da Escola apontam para novos caminhos? E que tal começar a casa pelas fundições e não pelo telhado?
Escola Montinhos dos Pegos

Hoje foi dia de reunião escolar do meu pequeno maior que frequenta o 3ºano de escolaridade. E parece-me que há “ventos novos a soprar” sob influência do modelo finlandês. Estas reuniões são vividas por mim de duas formas, como mãe mas também da perspectiva de profissional de educação (até porque a minha formação inicial foi professora E.B-1ºciclo). Ainda na minha formação inicial ( há longos anos) já haviam bons exemplos de escolas em Portugal que seguiam caminhos diferentes do tradicional , escolas vistas como excepção (até colocadas um pouco à margem) mas referências para quem acredita numa educação de qualidade para todos (e não apenas para quem frequenta colégios privados). Um desses exemplos é a Escola da Ponte (situa-se em São Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto)

“A organização que esta Escola põe em prática inspira uma filosofia inclusiva e cooperativa que se pode traduzir, de forma muito simplificada no seguinte: todos precisamos de aprender e todos podemos aprender uns com os outros e quem aprende, aprende a seu modo no exercício da Cidadania.”(http://www.escoladaponte.pt)



Como profissional de educação, esta escola tem sido para mim uma referência de qualidade pelo projeto, pelo empenho da equipa, pelo trabalho desenvolvido em parceria com as famílias, e principalmente pelo que considero ser o principal objetivo de todos os níveis de ensino, o respeito por cada criança, pelos seus interesses, pela pessoa que cada um é… por um interesse em que cada um cresça e aprenda com qualidade… Crescer Feliz!

Mas há outros exemplos de qualidade em Portugal, então porquê apontar o foco para a Finlândia se em Portugal temos bons exemplos? Modas? Interesses económicos?

Lamentavelmente o sistema educativo em Portugal está doente, rege-se por rankings, programas a mudar constantemente, por professores cada vez mais desiludidos (e por muito Amor que se tenha à profissão, não é suficiente para um sistema que se rege por interesses políticos e não educativos).

p.s: ISTO NÃO É UMA REFLEXÃO POLITICA ( é a junção do que vou assistindo como mãe e como profissional de educação)



Os ventos soprarem rumo à mudança é algo positivo, mas para se mudar tem de se perceber que caminho se quer percorrer, não vamos ali à Finlândia trazer a receita e aplicar. A mudança tem de começar desde a Creche, quando se começa uma casa não é pelo telhado que começamos pois não? Aliás os bons exemplos que temos em Portugal não aconteceram de um dia para o outro, exige reflexão, exige diálogo, exige formação, exige compromissos entre várias partes envolvidas.

Retornando à minha formação inicial como professora E.B-1ºciclo, a experiência que tive a dar aulas foi muito reduzida, de apenas 3 meses, e ainda bem que fui e vivi aquela experiência. Eu que adorava o caminho de formação que tinha feito, tinha certeza que tinha nascido para ser professora, bastou-me estes 3 meses para acontecer a desilusão. Deparei-me com um sistema envelhecido cheio de vícios … se calhar tive azar no local onde fui colocada… hoje, considero que foi o melhor que me aconteceu… eu que nunca aspirei a ser a Senhora Professora (estatuto), aspirei a entrar num sistema educativo e contribuir com qualidade para o percurso de formação das crianças... e é possível, há muitos bons profissionais a fazê-lo ( e ainda bem)… mas não pode o nosso sistema educativo andar conforme os ventos sopram… e todos nós testemunhamos que assim o é…

Um momento de mudança que considero extremamente negativo foi a construção das Mega escolas, unicamente em nome da contenção de custos ( que duvido que tenha dado resultados esperados), eu fui do tempo da escola da aldeia, ainda bem… faz parte das minhas boas memórias… o ir a pé para a  escola, a rua que ia ficando cheia das crianças que se dirigiam para a escola, o brincar livremente, o baloiço que me bateu na cintura marcando-me (saudavelmente ), os tacos do chão de madeira… a escola da aldeia permitia a nós crianças construir as nossas memorias através deste viver tão bom e faz parte de cada um de nós, e fazia parte de cada “terriola”… E nos dias de hoje? Edifícios gigantescos, sem espaços exteriores de qualidade, com mais conflitos… é como se as escolas se tivessem transformado nos “ Shoppings da Educação ou Deseducação”…

Finalizo esta reflexão esperando que os ventos soprem para uma mudança de qualidade que deve desde logo começar na Creche, e que o principal objetivo seja que cada criança Cresça Feliz!