terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O saber não ocupa lugar!



IV Encontro Nacional Brincar…Mos?!

1 Fevereiro 2020

Sábado bem cedinho é hora de rumar a Lisboa para o IV Encontro Nacional Brincar…Mos… é dia de formação (mas será apenas dia de formação?). Passadas todas as peripécias logísticas da ida para Lisboa (deixar dormir, carro que não pega, os pasteis de nata a escaldar…), lá vamos nós para a capital!

Chegamos (um pouco em cima da hora)!! Rapidamente, ocupamos lugares disponíveis aqui e ali pela sala, fico mesmo na fila da frente (UiUi)… 




1ªintervenção: A importância da psicomotricidade (Cláudia Machado Gil, Catarina Ferreira e Mónica Romão)

No palco estão 3 profissionais que partilham o seu projeto Terra das Crianças, falam da importância da psicomotricidade para o desenvolvimento infantil… uma partilha marcada por uma postura muito positiva que me passou a ideia que é importante pôr as crianças em movimento, é uma área tão importante como todas as áreas de desenvolvimento. Terminam a partilha com uma máquina de bolas de sabão que espalham Magia pela sala … uma simples máquina de bolas de sabão a estimular o movimento, o sorrir, o sonhar…



2ªintervenção: “A Brincar com a educação” (Marta Pinheiro)

Momento humoroso, Amorístico e Trocas e Baldrocas… estou curiosa, o que irá esta rapariga que está aqui ao meu lado apresentar em palco? E ela subiu ao palco com o seu ar, aparentemente tímido, e começou… uma lufada de ar fresco a despertar tanto sorrisos… como hei-de explicar? Um “ César Mourão” da educação… vocabulário, situações do quotidiano de uma educadora a servirem de base para histórias hilariantes que foi criando… um momento de refletir sobre educação de um modo descontraído, divertido, a sorrir… gostei muito! Refletir sobre Educação de um modo descomplicado… a brincar com coisas sérias! O que ficou em mim… além do momento descontraído, que podemos pensar em educação de um modo diferente, sem ver apenas o lado “negro”, e sim há muito para fazer mas se tivermos uma atitude positiva tudo funciona muito melhor e podemos envolver mais outras pessoas… e sim é tempo de mudar, mas mudar de sorriso na cara é muito melhor!




COFFEE BREAK: as famosas tortas de Loures, super calóricas , mas que já fazem parte do Encontros /formações da Célia… a adoçar o dia!!!



3ªintervenção: “ Guardião do Brincar- super herói da era digital” 
( Francisco Lontro)

O Francisco apresentou-nos o projeto Brincar de Rua… e realmente deixou-me a pensar… eu sou do tempo em que se brincava na rua, saímos para brincar com os amigos e voltávamos quando a mãe chamava com aquele “grito” que até o chão estremecia… saltava nas poças de água, brincava com paus e pedras, andava bicicleta rua acima rua abaixo… sou do tempo de um crescer na Natureza, na rua… e quando olhamos para os dias de hoje algo se passa, não há crianças? Onde estão as crianças? Fechadas em 4 paredes mergulhadas num mundo digital? Que memórias da sua infância vão ter estas crianças? Deixou-me a pensar…

O Projeto Brincar de Rua procura contrariar a realidade dos dias de hoje e levar as crianças para a rua, para brincarem… e é de valorizar este tipo de projetos que vêm abanar este hoje invadido por coisas digitais… Mas… que liberdade é esta dos dias de hoje em que tempos de ter guardiões do brincar, em que tem de se planear momentos em que pais/famílias e crianças estejam a Brincar? E sim, é melhor assim do que nada… mas, eu que fui dos tempos em que brincar era algo tão natural, espontâneo… deixa-me a refletir… e sim temos de agir rapidamente ou corremos o risco das crianças dos dias de hoje se tornarem em adultos sem memórias, sem vivências , a adultos “cinzentos”…

O Francisco lançou o desafio do Dia do Brincar, e sim o Ninho dos Corujinhas irá participar no desafio, mas nesse dia especifico, assim como em todos os dias… Brincar, ir para Natureza, sujar, descobrir tem fazer parte dos dias das nossas crianças (não de um modo pontual mas de um modo rotineiro).

Esta intervenção deixou-me a refletir, e muito… deixou-me preocupada… e quando temos um filme com momentos reais em que vemos o envolvimento das crianças o contato com a Natureza, em que ouvimos aquilo que sentem quando brincam livremente, quando isso se traduz em momentos de vivências felizes é porque temos muito para fazer… porque Brincar não pode ser a excepção … 



Leilão Saco XXL Peças Soltas: várias pessoas foram presenteadas com “talegos” com materiais que com toda a certeza irão proporcionar momentos de muita diversão a tantas crianças ( os talegos foram feitos pela nossa Ana Rita, o que é feito com Amor é bem feito!!)




4ªintervenção: Tempo de Brincar” 
( Susana Alberto e Alexandra Bernardo)

Um projeto que surge como uma alternativa a crianças que não frequentam a Creche, que proporciona momentos de brincadeira, de interacção entre crianças e famílias… foi uma intervenção que proporcionou dinâmicas de interacção entre os participantes…”a nossa criança balão”… e quando os adultos brincam, envolvem-se, sentem-se mais felizes e isso é positivo… porque é que há ainda profissionais de educação que têm dificuldade de se envolver nas brincadeiras com as suas crianças? Não nos tira credibilidade, pelo contrario, estabelecemos uma relação mais próxima com a criança quando esta nos permite fazer parte do seu mundo… por isso: Brincar faz muito bem!




5ª intervenção: “ Mundos da Educação de Infância” / “ Vamos soltar as peças” ( Célia Gandres)

E foi tempo da nossa anfitriã subir ao palco e passar a participante… vestiu o seu sorriso (aquela gargalhada tão característica) e vamos lá refletir sobre Educação… tocou em vários pontos, despertou-me a reflexão, de um modo divertido pôs-nos a pensar no que fazemos, no que queremos fazer… mais importante do que refletir é ter a capacidade de fazer na prática alguma coisa… não basta blá, blá, blá e depois nas nossas realidades não fazermos nada, ou limitarmo-nos a “imitar” outras realidades que nada têm a ver com o nosso contexto… é tempo de Fazer, e não é por mim, mas pelas nossas crianças que têm o direito a serem crianças (e não mini adultos), têm direito a Brincar, têm direito a Crescer Felizes!





E é hora de ir para casa… e como já é habitual o Encontro termina com uma canção… Dá-me um Abraço ( Jorge Palma) … e que bom foi receber aquele abraço… abracemos cada um de nós o dia que vivenciamos, um dia de Partilha, um dia de Reflexão, um Dia de Brincar com coisas sérias, um dia de espicaçar, de nos fazer sair da “zona de conforto” e fazer mais e melhor…  








A equipa Ninho dos Corujinhas … um obrigada Ana Rita, Noélia, Manuela por estarem neste dia que com toda a certeza ficará em cada uma de vocês e se traduzirá em crescimento, porque cada uma de nós deverá ambicionar ser sempre melhor, fazer sempre mais… estamos sempre a Aprender!!

Que sejamos sempre Brincadores...


E foi apenas um dia de formação? Não… foi um dia de Vivências, de Refletir, de Ouvir, de Observar, de Aprender, de Estar, de Partilha... de CRESCER FELIZ!


sábado, 25 de janeiro de 2020

DIZ-ME E EU ESQUECEREI…ENVOLVE-ME E EU APRENDEREI…




A euforia do Natal já passou… e agora? Dia de Reis, Inverno? NÃO… agora é tempo de Caracóis, gostamos tanto deles!!

Na frente das instalações do nosso Ninho dos Corujinhas há um terreno que costumamos frequentar com muita regularidade, é um espaço amplo, composto por árvores, flores, pauzinhos, pedras, terras… a Natureza no seu melhor e que nos permite usufruir de momentos únicos. Nas idas ao “terreno dos pauzinhos” observei em vários momentos o interesse das crianças por caracóis, gostam observar onde estão, brincam com as conchas como se fossem personagens de histórias que inventam, fazem contagens, têm diálogos entre si sobre os caracóis, e essas mesmas observações foram a base para o projeto “ Caracol, caracolinho” (pois várias vezes os ouvi chamar pelos caracóis usando esta mesma expressão).




No esquema do projeto procurei abranger várias áreas de desenvolvimento, de qualquer modo, não é uma planificação rígida, pelo contrário, há abertura para surgirem outras atividades, quer através propostas/interesses das crianças, através observações, através propostas famílias (…)



ESQUEMA PROJETO “ Caracol, caracolinho”


E tudo começa com a história “ Caracol, caracola”



O gosto pelos livros não é algo que se ensine, é estimulado através do contato com os mesmos, e quanto mais regulares forem esses contatos maior ligação se estabelece entre a criança e o livro. Assim, enquanto educadora acredito que a utilização de uma história para iniciar um projeto é uma estratégia muito enriquecedora, é um fio condutor que marca o início do projeto mas que se vai mantendo ao longo do mesmo possibilitando uma interligação entre todas as áreas de desenvolvimento que se envolvem entre si e não ocorrem isoladamente.

Para a Hora do Conto não utilizei o livro em formato original, mas optei por fazer um livro com as imagens em A3 que colei em cartão e apliquei alguns estímulos sensoriais.




Partindo da história, que é sempre a base do projeto, realizamos várias atividades:

- À Procura do Caracol- idas ao terreno apanhar caracóis


- Canção- com utilização caixinha de instrumentos

- Exploração Imagens reais comparando com caracóis que trouxemos do exterior


- Pintura de imagem caracol/ aplicação pedaços Eva- cada criança escolhe livremente a cor que quer utilizar


. Caracóis de plasticina ( estica, estica, estica… enrola, enrola, enrola)


- Eu sou um caracol- brincar aos caracóis , faz de conta…



As famílias, os nossos parceiros

Antes de iniciarmos o projeto pedimos a colaboração das famílias para que nos enviassem material relacionado com o tem, e no dia que demos inicio ao projeto tivemos uma agradável surpresa, o carteiro veio entregar uma encomenda e quando abrimos a caixa descobrimos 2 livros sobre caracóis, foram enviados pela mãe da nossa Alexandra. Ficamos tão Felizes!!! Uma contribuição que veio enriquecer tanto o nosso projeto!






Recebemos ainda um caracol sensorial feito pela mãe da nossa Maria Rita e uma caixa de conchas de caracóis que a pequenota apanhou com a prima na horta do pai Luís, e que fez questão de contar aos amigos essa mesma experiência.



Partilhando com os bebés

O projeto que começou a partir do interesse das crianças da sala 2 anos estendeu-se à sala do berçário. Num 1ºmomento levamos o nosso livro sensorial “ Caracol, Caracola” para mostrar aos bebecas… e resultou em momentos de PARTILHA tão bons para todos, os bebes com o seu olhar curioso para o que se estava a passar, o grupo 2 anos numa primeira fase meio envergonhados mas depois a querer mostrar, a querer envolver os bebes… num 2ºmomento partilhamos a canção utilizando a caixinha de instrumentos musicais… 




Momentos de Partilha são momentos muito especiais para todos… para os bebés pois contatam com crianças maiores, desperta-lhes a curiosidade, estabelecem-se ligações afectivas… para as crianças grupo 2 anos que se sentem orgulhosas em mostrar as “suas coisas”, há uma sensibilidade ao lidar com os bebes… vivências simples e únicas para todos…



CARACOL, CARACOLINHO…

E é pela OBSERVAÇÃO que tudo começa… vê-los em contato com a Natureza, nas suas explorações, nas suas descobertas… observar os seus interesses… poderíamos seguir o caminho do “mais do mesmo”, mas não seria igual… gostam de Caracóis? SIM… então vamos seguir o vosso caminho, posso ir ao vosso lado?

A OBSERVAÇÃO… que importante é ter um olhar desperto pois cada criança, o grupo vai-me manifestar aquilo que gosta através de brincadeiras, de conversas, de explorações… mas não é fácil! Temos dúvidas, temos receios… mas faz parte… por mais leituras de fazemos, por formações que vamos tendo, por partilhas… é apenas na concretização que percebemos que caminho querem as crianças fazer, e temos de ter a capacidade de continuar caso haja interesse ou de recuar caso não haja interesse… e a isto se chama CRESCER!

Não há receitas, cada criança é uma criança, cada grupo é um grupo, cada contexto é um contexto… mas há o nosso percurso enquanto profissionais de educação, para mim o que me faz sentido é partir daquilo que observo, planificar, refletir, reformular, refletir… e sim tenho dúvidas, e sim recuo quando tenho de recuar, e sim avanço por outro caminho se assim fizer mais sentido para as crianças, porque o mais importante é que se sintam envolvidas, que façam descobertas, que partilham, que ocorram vivências únicas e com significado… e a isso se chama CRESCER FELIZ!





quarta-feira, 13 de novembro de 2019

AS EMOÇÕES NÃO SE ENSINAM, VIVEM-SE!




“Gosto de ti
Desde aqui até à Lua
Gosto de Ti
Desde a Lua até aqui
Gosto de ti
SIMPLESMENTE porque Gosto
E é tão bom viver assim!”
( André Sardet)



2019, séc. XXI, uma era marcada pela tecnologia que invadiu toda a nossa vida…  tablets, pc´s, iphone´s …  teclar ao invés de se conversar, teclar ao invés de se beijar, teclar ao invés de se mimar… esperem já nem é teclar, é “passar o dedo” por écrans , e sim já observei, em vários momentos, crianças bem pequenas a reproduzir esse gesto… o que andamos nós geração adulta a passar às nossas crianças?

Nós que temos nas nossas memórias tantos afetos …  o abraço dos nossos amigos, o colo da avó quando me contava uma história da sua memória, o beijo da mãe para tratar a ferida, a mão do pai que nos dava confiança para tudo enfrentar, o correr na rua, o sentir a chuva na cara, o som do “amola tesouras”… tantas memórias de afetos, de vivências, de Amor…





URGENTE… EMOÇÕES PRECISAM-SE!

E sim nos dias de hoje tudo é diferente e não devemos (nem conseguimos) ser radicais, mas podemos trazer mais vivências emocionais para este mundo tão racional… e pequenos passos podem fazer a diferença, e sim, nós (educadores, pais, amigos…) somos os modelos para as nossas crianças… mais que procurar ensinar EMOÇÕES, devemos VIVER EMOÇOES!



BOM DIA, BOA TARDE… Quando saio com um grupo para o exterior se passamos por alguém o que fazemos? Cumprimentamos… se eu cumprimento, e estimulo as crianças a fazerem-no acaba por se tornar em algo rotineiro para elas…  isto é viver emoções: cumprimento-te, olho para ti, vejo-te, sorrio… e em vários momentos em que estas situações se verificaram pude observar o “brilho “ no olhar de quem recebeu este cumprimento… mas não deveria fazer parte do relacionamento entre pessoas? … não se ensina a cumprimentar, cumprimentamo-nos!




GOSTO DE TI… é para usar e abusar, pelo menos não conheço nenhuma lei que o proíba, e deve fazer parte do nosso vocabulário quotidiano com as crianças, não devem ter qualquer inibição em dizê-lo, em senti-lo, e sim devemos estimula-las, entre si, a dizerem o que sentem uns pelos outros… e há momentos em que estão zangadas e não gostam tanto, e não tem mal nenhum, importante é sentir, e sentir em liberdade, sentir com verdade, e não ter vergonha de dizer GOSTO DE TI… não se ensina a dizer Gosto de TI, diz-se!




BEIJINHOS, BEIJOCAS, BEIJO COM BARULHO… o beijo deve surgir da vontade de cada um, também não sou apologista do beijar “obrigatório” pois isso tira a essência do que deve significar o beijar que deve ser uma manifestação de carinho, e não existe carinho por obrigação… numa fase inicial é perfeitamente normal a criança não nos querer beijar… quem és tu que chegaste agora à minha vida para estares a querer beijos meus? Tens de os merecer! E vai acontecer de um modo natural quando a criança sentir confiança para que tal aconteça, e quando acontece é muito especial porque é dado com sinceridade. Beijar é uma manifestação de afeto e não tem mal nenhuma manifestar o que estamos a sentir… há um jogo, o jogo das “beijocas” que gosto de fazer com o meu grupo, em que o beijo vai passando de bochecha em bochecha até voltar ao ponto de partida… a primeira vez que o fizemos parecia que nunca tinham dado um beijo, e na verdade, estamos juntos há quase dois anos e eu recebo muitas beijocas mas entre as crianças era algo ainda pouco estimulado, daí uma certa desconfiança, uns olhares de espanto… mas tal situação foi ultrapassada e já há o beijar de modo natural. E também houve a fase dos beijos silenciosos que passaram a ter som, o som bonito de uma beijoca bem repenicada na bochecha, o que treinamos a tentar imitar o chilrear dos passarinhos, e nada melhor do que a canção dos beijos (som) para treinar “ as melhores beijocas do mundo”!... não se ensina a beijar, beijamos!




ABRACINHOS, COLINHO … o abraço e o colo quase que se complementam, pois o abraço de uma criança é do melhor que há, é de corpo inteiro! Como uns bracinhos tão curtos (ainda) nos conseguem envolver como se nos tivessem a dar colo? Na minha modesta opinião isso acontece porque é um abraço completo de tudo, um abraço colo, às vezes um abraço cavalitas… mas seja de que modo for quando abraçamos estamos a acolher o outro em nós… um abraço, o espontâneo, o verdadeiro é aquele que parece que fala e nos diz” Estou aqui para ti!”… não se ensina a abraçar, abraçamos!






AS EMOÇOES ESTÃO À SOLTA!

E são tantos os recursos que podemos utilizar para estimular o Viver as Emoções:

- Canções

- histórias

- Imagens Reais

- Observações no Meio real

- jogos

- Observações no espelho

- Caixa do faz de conta

(…)



O limite é a Imaginação, e para a Imaginação não há limites!



Mais do que ensinar, nós, referências para as nossas crianças, devemos VIVER, com elas, momentos de Emoções, de Sentir… e não tem mal nenhum em Sentir e em fazer parte dos nossos dias: Gosto de ti, Amor, Abraçar, Colinho, Mimo, Beijocas… e que façam parte do seu percurso de Crescimento para que se tornem adultos EMOCIONALMENTE saudáveis!



“ A sorte da maior parte das crianças é terem sido bem abraçadas muitas vezes. Com base nisso ganham confiança num mundo amigável, mas, ainda mais importante, por terem sido abraçadas com AMOR são capazes de progredir rapidamente no seu crescimento emocional” (D.W. Winnicott.1987.pág62)